O educador Paulo Freire cunhou uma frase que expressa com singeleza, o que constitucionalmente foi colocado como responsabilidade social: “a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. A via de mão dupla da educação e sociedade implica em comprometimento de educadores, educandos e da sociedade civil para com os instrumentos viabilizadores deste importante processo de formação e inserção social. Durante minha infância e adolescência, nossas escolas eram limpas, organizadas, favoráveis ao bem-estar e, portanto, ao aprendizado. Em plena era tecnológica, com grandes avanços científicos, o mundo interligado através da internet, teorias e mais teorias sobre relacionamentos e educação, tenho a impressão de que há um vácuo social que tem refletido diretamente nas salas de aulas, nas escolas, nas crianças e adolescentes que as freqüentam, ou melhor, no próprio sistema educacional. Não é um problema específico do Amapá. Todos os dias são noticiadas situações degradantes, que vão desde violência pessoal entre alunos e destes para com os professores à degradação patrimonial das instituições de ensino. Infelizmente, as mais afetadas são escolas do ensino público. É uma questão complexa que não pode ser solucionada apenas com atos da administração pública, ensejam isso sim, uma ação integrada da família com a escola e a sociedade em geral, para que seja proporcionado um ambiente que propicie às crianças, jovens e professores a vontade de aprender e ensinar, o respeito pela instituição e o comprometimento de ali permanecerem imbuídos do propósito da formação de consciências para o presente e futuro. Hoje quando andamos pelas escolas, temos a impressão do caos e de que muita gente fomenta esse caos. Então a pergunta primordial cresce dentro de nós: - como podemos ajudar? Temos uma Constituição democrática, com valores altruístas, direitos garantias e liberdades individuais e coletivas. Temos um sistema de ensino ideal. Mas temos a realidade pujante e, freqüentemente, desapartado do idealismo constitucional. A família e a sociedade são essenciais nesse processo de, digamos assim, estabilização dos valores individuais para firmação da coletividade. Imbuído desse propósito transformador, conquanto exemplificativo, visitei várias escolas no Estado e, por fim, escolhi uma escola para servir de parâmetro de mudança. Primeiramente recebemos projetos que foram levados ao Ministério da Educação. Alterações na sistemática, na burocracia, dos procedimentos retardaram a liberação dos mesmos. Conversei com o Prefeito Roberto Góes, com a Prefeita Helena Guerra, com a Secretária de Educação Municipal Conceição Medeiros e escolhemos a Escola Amapá, com a Diretora Joana Célia Barreto, para lançarmos um projeto inovador, o Movimento Municipal Pela Educação. Estive diversas vezes na Escola Amapá e fiquei consternado com a infra-estrutura oferecida aos alunos e professores. Conversei com pais das crianças e jovens e todos aguardavam ansiosos uma providência para recuperação da escola e da auto-estima das pessoas que diuturnamente estudam e trabalham no local. Acionei pessoas importantes da sociedade, solicitando doações para a Escola Amapá e tivemos, graças a Deus, uma excelente receptividade nas solicitações. Todos colaboraram e se cada um se tornou “amigo da escola”. Durante a última semana, refizemos parte do forro, efetuamos a pintura e colocamos centrais de ar condicionado, climatizando a escola, para tirar os alunos e professores do insuportável calor que causa letargia e desassossego, prejudiciais ao aprendizado. Para podermos fazer a climatização foi necessário trocar a rede elétrica para suportar a nova carga. Além disso, técnicos voluntários consertarão os computadores quebrados, pais e alunos, professores e servidores municipais estão trabalhando pesado para que na próxima terça-feira a comunidade receba uma outra escola, reformada também na alma das pessoas. Importantes escolas e universidades da Inglaterra e dos Estados Unidos sobrevivem com doações de ex-alunos, que entendem como uma retribuição pela formação que tiveram. É uma atitude exemplar. É um grande trabalho, resultante da participação de todos, confirmando que “mudar é difícil, mas é possível”, como também dizia Paulo Freire e na verdade todos nós deveríamos ser amigos da escola. Gilvam Borges Senador pelo PMDB do Amapá e coordenador da bancada parlamentar amapaense em Brasília.